quinta-feira, 26 de abril de 2012

Pilates para Corredoras Gestantes




     A prática da atividade física durante a gravidez pode trazer inúmeros benefícios para a mulher, como o controle do peso, maior energia, condicionamento físico, melhora da postura, prevenção e alívio de dores.
     Desde que autorizada e acompanhada pelo médico, a prática da corrida pode ser realizada de uma forma segura durante a gravidez, porém, é necessário tomar certas precauções e fazer modificações nos treinos para que a atividade possa ser benéfica tanto para a mãe quanto para o bebê.
     A melhora do condicionamento físico e os treinos para competições neste momento cedem lugar a uma corrida moderada, priorizando o exercício ao ar livre para liberar o stress e manter-se saudável.
    Mulheres que não praticavam corrida anteriormente devem optar pela caminhada durante o período gestacional e iniciar um programa de corrida no momento adequado, somente após o parto.
    Várias alterações fisiológicas durante a gravidez exigem adaptação ao exercício físico, especialmente à corrida. Dentre elas podemos destacar a variação da taxa de batimentos cardíacos, que aumenta mesmo sem esforço e, por isso, para não entrar em exaustão, a mulher deve ouvir seu corpo sempre tendo como referência sua própria percepção de cansaço, alterando sempre que necessário a intensidade do exercício.
    Outro cuidado a ser observado pela corredora gestante é a escolha de superfícies regulares para a prática da corrida, garantindo assim menor probabilidade de entorses e distensões nas articulações já que, na gravidez, os hormônios provocam frouxidão ligamentar.
   Mesmo com todos esses cuidados é indispensável o acompanhamento médico, pois à medida que a gravidez avança, mudanças fisiológicas e ortopédicas ocorrem no corpo e a disponibilidade para o exercício varia não só de gestante para gestante como para a mesma mulher nos diferentes trimestres de gravidez.
    Passar da corrida para a caminhada nos meses finais e acrescentar desde o início exercícios adequados para melhorar a postura, fortalecer membros superiores e inferiores e prevenir dores e sobrecargas na coluna são providencias necessárias ao longo da gestação para manter-se ativa, disposta e saudável.
    Adotar a prática de Pilates durante a gestação é um excelente recurso para quem deseja continuar se exercitando, independente da prática ou não da corrida. Nesse caso, ainda que a futura mamãe não tenha tido contato com Pilates antes da gravidez, ela pode iniciar a prática mediante liberação médica após o segundo trimestre de gestação. Ainda que o método Pilates seja um dos meios mais seguros e eficientes para se exercitar, existem contra-indicações que inviabilizam sua prática se a gestante, por exemplo, apresentar indícios de parto prematuro, risco de descolamento de placenta entre outros, por isso é indispensável a orientação, autorização e acompanhamento médico.
    Para gestantes, recomendam-se aulas individuais para que seja possível atender cada mulher em suas demandas específicas. A prática deve ser realizada sob orientação de um instrutor experiente, capaz de adaptar a técnica e utilizar os equipamentos do método no sentido de oferecerem a assistência e a resistência necessária para um prática segura e eficiente.
     O foco da prática de Pilates neste momento deixa de ser o fortalecimento da região abdominal e passa a ser a manutenção de um tônus suficiente para auxiliar no trabalho de parto e prevenir dores lombares.
     A melhora da postura é outro objetivo importante para diminuir as dores lombares oriundas do aumento de peso e consequente alteração do centro de gravidade na gestante, assim como o fortalecimento dos membros inferiores que contribuem para uma descarga de peso mais eficiente nas pernas minimizando a sobrecarga da coluna.
    Outros pontos importantes da prática de Pilates na gestação são o fortalecimento dos membros superiores, preparando a musculatura para a demanda de cuidados com o bebê após o nascimento e o acionamento eficiente do períneo, que auxilia no parto normal e evita a incontinência urinária de esforço que pode ocorrer durante a gravidez (quando espirramos ou tossimos).
     Por sua vez, o aprendizado da estabilização das articulações evita possíveis dores e lesões que podem ocorrer devido a frouxidão ligamentar provocada pela alteração hormonal característica da gravidez.
     Aliviar dores e inchaço nas pernas e melhorar a capacidade respiratória são ainda outros benefícios da prática de Pilates, aumentando a capacidade de relaxamento e bem-estar inclusive no momento do parto. Tão importante quanto a prática de Pilates durante a gestação é sua prática no pós-parto. Lembre-se de respeitar seu corpo e retomar aos poucos a atividade após o nascimento do bebê.
     Deve-se recomeçar de forma gradual, retomando as atividades físicas com o objetivo de manter-se ativa e não o de recuperar a forma física antiga a qualquer custo. Deve-se retomar tanto o Pilates quanto a corrida como se fosse iniciante, dando um tempo necessário ao corpo de se condicionar gradativamente, para manter-se longe de lesões.
     A atividade física na gestação e no pós parto deve ser o mais natural e agradável possível, no sentido de gerar bem estar e contribuir para uma adaptação gradativa e saudável do corpo às mudanças profundas que ocorrem com a mulher.
     A prática de Pilates pode ser uma opção a mais para seu equilíbrio físico e emocional. Consulte seu médico a respeito, procure um profissional de Pilates competente e experimente!
     Lembre-se de respeitar seu corpo e retomar aos poucos a atividade, pois nem seu corpo nem sua vida será a mesma após o nascimento do bebê. Isso não significa que você deva se afastar da atividade física, pelo contrário. Somente seu objetivo vai ser diferente, o foco deve ser o restabelecimento gradual do corpo, à saúde e o alívio de tensões e não um retorno imediato à antiga forma e condicionamento físico.
     Os ganhos emocionais são significativos, pois o foco da aula de Pilates para gestantes é o bem-estar da futura mãe, e não apenas do bebê. Muitas vezes observamos que a futura mãe acaba por se tornar uma mera figurante na gestação e as atenções são todas voltadas para o bebê. Na verdade, sempre é muito importante valorizar a mulher praticante de Pilates em todas as suas facetas: de mãe, de esposa, de dona-de-casa, de profissional etc.


Por Cristina Abrami, educadora física e diretora técnica do CGPA Pilates www.cgpapilates.com.br.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Dupla eficiência

    Correr e praticar Pilates pode ser a combinação perfeita para quem busca equilíbrio entre a parte física e mental.
     De todas as mudanças que notamos após iniciar um trabalho de treinamento físico, seja ele de qualquer modalidade, a que primeiro se destaca é o aumento da energia vital, da disposição e do entusiasmo de viver. Isso vem antes mesmo de se manifestarem visivelmente as mudanças físicas, como o fortalecimento muscular, melhora da condição cardio-respiratória etc.
   A capacidade de adaptação do corpo ao treinamento proporciona gradativamente, não só uma melhora nos níveis de desempenho nas habilidades motoras e capacidades físicas, como uma gratificação emocional, um reconhecimento da própria capacidade de superação e uma melhora considerável na autoestima.
     Muito se diz sobre a endorfina liberada durante as corridas prolongadas, responsabilizando-as pela chamada “euforia do corredor”. Em contrapartida, já se sabe também que corredores com a síndrome de overtraining (excesso de treino) têm uma redução no desempenho e apresentam níveis mais baixos de endorfina, sensação geral de letargia e até depressão.
     Os primeiros estudos sobre a influência da atividade física no bem-estar, na redução dos níveis de estresse e melhora da concentração e produtividade datam dos anos 60. Comprovou-se que as atividades aeróbias, como correr, proporcionam melhora do humor e melhoram significativamente a saúde mental.
    Hoje, tanto tempo depois, ainda pode parecer estranho que atividades físicas tenham efeitos tão poderosos na mente. É que nos esquecemos que o cérebro é parte do corpo e a mente é a maneira pela qual o cérebro se apresenta.
   Cada pensamento ou emoção é resultado de um padrão específico de atividade química e elétrica entre o cérebro e o resto do corpo.
   Enquanto corremos, o corpo libera fenilalanina, um neurotransmissor estimulante que aumenta a atividade e agilidade mental. Por isso, após a prática de exercícios físicos, geralmente somos capazes de nos concentrar mais e melhor.
   John Ratey, um dos maiores especialistas do mundo sobre os efeitos do exercício no cérebro, escreveu “[os exercícios] fazem o cérebro funcionar em seu melhor nível, e na minha visão, esse efeito das atividades físicas é muito mais importante do que os seus efeitos no corpo. Formar músculos e condicionar o coração e pulmões são essencialmente efeitos colaterais.”
O Pilates
    Muito antes de esses estudos confirmarem os benefícios da atividade física, Joseph Pilates, na década de 30, já afirmava isso por meio da “Contrologia”- nome dado por ele ao seu método, que era possível atingir a saúde perfeita, alcançando a completa coordenação do corpo, mente e espírito.
    “Por meio dela, você adquire primeiro o controle de seu próprio corpo e depois, com repetições apropriadas dos exercícios, adquire gradual e progressivamente um ritmo natural e a coordenação associada às atividades do subconsciente. Esse ritmo verdadeiro e o controle são observados tanto em animais domésticos como em animais selvagens, sem exceções conhecidas.”( Joseph H. Pilates e Willian John Miller (1945) – O retorno a vida pela contrologia).
    Seu método baseia-se nessa constatação e os seus seis princípios (respiração, acionamento do centro de força, fluidez, controle, concentração e precisão). Eles norteiam a maneira como devemos nos mover para alcançar esse objetivo. Aliar o treinamento de corrida à prática de Pilates nos traz, além dos benefícios físicos que ajudam a melhorar o desempenho da corrida, uma maneira totalmente eficiente de se movimentar de maneira consciente.
    Joseph H. Pilates dizia que “Idealmente, os músculos deveriam obedecer a nossa vontade. Racionalmente, nossa vontade não deveria ser dominada pela ação reflexa de nossos músculos. Quando as células cerebrais são desenvolvidas a mente também é. A Contrologia estimula milhares e milhares de células cerebrais inativas, ativando novas áreas e estimulando um funcionamento maior da mente.”
    Hoje a comunidade cientifica cada vez mais valida os conceitos de Joseph Pilates e, diferente do que foi na sua época, seu método se difunde em todo mundo com o reconhecido respeito, como ele desejava.
    A nós, só resta agradecer e usufruir.
    Bons treinos!

Por Suely Tambalo, professora do CGPA Pilates.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Pilates e a Tendinite





       Patologia comum entre os corredores, a tendinite pode ocorrer nos tendões de diversas articulações submetidas ao esforço repetitivo durante a corrida. Os problemas mais comuns nos praticantes deste esporte são as tendinites patelar, de pata de ganso, da banda ileo-tibial e do tendão calcâneo ou ainda a entesite (processo inflamatório que ocorre na transição entre o tendão e o osso, principalmente no joelho).

      Os tendões têm como principal função transmitir a força gerada pelos músculos aos ossos. A tendinite é a inflamação do tendão que pode ocorrer por várias causas: um trauma, calçados e pisos inadequados, mudanças no treino e aumento de sobrecargas e repetições.

      O mais comum, no entanto, são os desequilíbrios musculares originados pela falta de alongamento, flexibilidade ou força em algum grupo muscular ou conjunto de músculos, causando sobrecargas articulares que dão origem à lesões como fraturas por estresse, desgastes articulares e inflamações.

      Na corrida, é muito comum o desequilíbrio entre a musculatura anterior e posterior das pernas e coxas; o encurtamento decorrente de falta de alongamento e/ ou postura inadequada; erro de técnica com alterações biomecânicas no movimento; e até mesmo a falta de alinhamento congênita dos membros inferiores, como: genovalgo e genovaro.

      Esse quadro causa inchaço e tensão dos músculos próximos ao tendão lesionado limitando o movimento. Tendinites mal avaliadas e não tratadas adequadamente podem levar a uma degeneração do tendão que podem evoluir para uma ruptura do mesmo, necessitando nesses casos de tratamento cirúrgico.

      O Pilates pode atuar tanto na prevenção como na recuperação dessas lesões. O trabalho preventivo consiste no desenvolvimento equilibrado da musculatura de todo o corpo, inclusive na correção do alinhamento de membros inferiores, contribuindo com o aumento da flexibilidade, do alongamento e da força, uma melhora da postura, da concentração e da consciência; além do controle corporal.

      Na fase de recuperação da lesão, enquanto o tratamento analgésico e antiinflamatório contra indicam a movimentação, o treinamento de Pilates pode continuar, isolando a região lesionada e trabalhando com o fortalecimento do centro de força e da mobilidade articular do resto do corpo, mantendo o atleta em atividade para que não diminua completamente o condicionamento já adquirido.

     Numa fase posterior de recuperação, o fortalecimento da musculatura anterior da perna e coxa e o alongamento da musculatura posterior, bem como seu correto alinhamento e a correção do gesto esportivo, reeduca a postura e prepara o atleta para a volta aos treinos.

     É importante lembrar que se deve procurar avaliação médica quando ocorrem dores após os treinos que não cessam depois do período de repouso de uma semana, ou quando ocorrem dores no início do treino, desaparecendo após o aquecimento e retornando após o término do exercício.

     O tratamento adequado e precoce evita lesões mais graves, possibilitando a recuperação e a correção dos desequilíbrios e restaurando a biomecânica correta para uma corrida eficiente e segura.


*Por Cristina Abrami é fundadora e Diretora Técnica do CGPA Pilates e formada em Educação Física pela USP.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Três exercícios de pilates para fazer em casa


Confira o passo-a-passo de exercícios com colchonete e bola.

Os instrutores do CGPA Pilates® adaptaram três exercícios do pilates para a prática em casa. É necessário colocar um colchonete no chão, e nunca praticar diretamente no chão ou em cima da cama. Para o exercício com bola, é necessário comprar o acessório em lojas de esporte ou de artigos de fisioterapia.
A instrutora Ludmila Pedroso (instrutora das fotos abaixo) ressalta a importância da qualidade dos movimentos, e não da quantidade de repetições, portanto é fundamental concentrar-se no corpo e na respiração durante a atividade. Em casa, o praticante deve executar os exercícios cuidadosamente e deve parar em caso de dor ou desconforto.


Exercício 1 - Aquecimento corporal e fortalecimento do abdome
Deite com as pernas flexionadas (como na imagem) e levante os braços a 90 graus do tronco.




Inspire e suba parte do tronco até tirar os ombros do colchonete, enquanto abaixa os braços até a lateral do tronco.
Suba e desça os braços eretos em movimento de bombeamento. Inspire continuamente em cinco tempos e expire em cinco tempos. Mantenha o abdome pressionado.
Repita o movimento de bombeamento dos braços dez vezes.




Observação:
Em caso de dores no pescoço ou nas costas, posicione uma almofada embaixo dos ombros e apoie o corpo sobre a almofada enquanto executa o exercício.





 
Exercício 2 - Fortalecimento de abdome e segmentação da coluna

Sentada sobre o colchonete, flexione levemente as pernas e apoie as mãos atrás das coxas. Mantenha a coluna ereta.




Expire e desça o tronco, como se desenrolasse a coluna.





Volte a subir com a coluna arredondada.
O movimento deve ser repetido de quatro a cinco vezes. Pessoas com hérnia de disco e dores lombares devem consultar um médico antes de exercitar esse movimento.





Exercício 3 - Equilíbrio, segmentação da coluna e fortalecimento do abdome, glúteos e pernas

Deite no colchonete com as pernas eretas sobre uma bola suíça (que pode ser encontrada em lojas de esporte e artigos de fisioterapia).




Inspire e eleve o quadril, contraindo glúteos, abdome e os músculos da perna. Pressione as pernas na bola.




Volte lentamente o quadril para o colchonete, ainda contraindo o abdome.

O movimento deve ser repetido de quatro a cinco vezes.






(Fotos: Daigo Oliva/G1)






segunda-feira, 5 de março de 2012

Na Medida Certa





Como o Pilates pode ajudar a reconhecer seus limites e ampliá-los de maneira consciente e segura.
     Cada vez mais a vida nos exige o impossível. E o pior é que acreditamos que podemos tudo e nos culpamos quando não damos conta dessa demanda exagerada. Há muito tempo esse quadro se instalou na humanidade, especialmente nos grandes centros urbanos. Apesar da evolução tecnológica, que deveria nos deixar mais tempo livre, na realidade nos consome ainda mais. Exigimos de nós mesmos mais e mais. Dormimos menos, restringimos ou descuidamos da alimentação, enfim, as necessidades básicas de sono, alimento, descanso e lazer têm cada vez menos espaço em nossas vidas. Consequência disso: ficamos doentes, propensos a lesões, depressivos e sem energia.
    Joseph Pilates já comentava essa síndrome da civilização em seu livro de 1945 “O retorno a vida pela contrologia”. A motivação de seu trabalho era criar um método em que seria possível ficar em forma para as tarefas diárias através do entendimento do correto funcionamento do corpo. Segundo Joseph Pilates, o equilíbrio do corpo e da mente fornece ao ser humano civilizado as condições necessárias para atingir o objetivo de todos: “saúde e felicidade”.
     Ele dedicou a sua vida a estudos e pesquisas dos distúrbios que prejudicam o equilíbrio do corpo e da mente e às aplicações práticas das leis da natureza, não apenas na cura da doença, mas, essencialmente, em sua prevenção.
“Embora se reconheça que nosso sistema moderno é responsável, em maior ou menor grau, pelos males de saúde atuais, não se pretende aqui indicar especificamente os culpados. (...) Nunca na história tanto tempo e dinheiro foram gastos para atingir uma perfeição física normal do que na era de hoje. Nunca as tentativas vãs para obter uma saúde normal foram tão justificadas como hoje. .....Homens de negócios durante e após a guerra, ficaram tão preocupados em acumular fortunas que acabaram não dedicando tempo suficiente para cuidar da saúde. ”Joseph Pilates “ O retorno a vida pela contrologia”
Como mudar
   Parece familiar? Bem, temos algumas ferramentas para lidar com isso. Primeiramente podemos nos permitir voltar a ser humanos e deixar de lado nosso lado “mártir”. Será mesmo que a gente não tem tempo para se cuidar?
    Fácil de dizer, difícil de fazer. Isso porque vivemos cercados de artificialidade. A comida é industrializada, a locomoção mecanizada, o ar é condicionado e o contato com outros seres humanos é cada vez muito mais virtual do que pessoal. Estamos conectados com o mundo sem sair da mesma posição: sentada. Aí, pra compensar isso, caímos de cabeça na malhação, na busca do corpo perfeito (aquele que entortamos e negligenciamos, quando estávamos sentados, sem consciência de sua existência).
    Claro que temos que nos exercitar e a questão não é tanto o que devemos fazer, mas COMO fazer isso de maneira eficiente.
    Joseph Pilates, em seu sistema de exercícios utilizava cargas de 0.5 a 2kg, e um máximo de 10 repetições de cada exercício. Ampliar nossos limites sim, exaustão jamais. Isso nos faz pensar quanto tempo passamos numa busca equivocada, exigindo demais do corpo, sem consciência de nós mesmos, sem controle.
   Moderação e regularidade. Hoje está cada vez mais claro que esse é o caminho da boa forma e da saúde. Controlando a ansiedade em obter resultados rápidos, maior serenidade, controle e segurança.
    Um bom trabalho de Pilates nos ajuda a levar esses princípios para a prática de qualquer outra modalidade esportiva, especialmente a corrida. Aprendemos a nos mover com mais consciência, aprendemos como o corpo funciona e nos desenvolvemos com maior naturalidade.
    A energia movimentada numa aula de Pilates faz com que nos sintamos mais dispostos, sentindo o corpo trabalhado, principalmente musculaturas mais profundas que nem sequer tínhamos noção que existiam ou que pudessem ser exercitadas!
     Variar, proporcionar a si mesmo novos estímulos para o corpo, para a mente e para o espírito é o que espero para todos nós nesse final de ciclo e início de um novo ano. Despeço-me desse ano novamente citando as palavras de Joseph Pilates em seu livro “O retorno a vida pela contrologia” e seu desejo para todos nós:
“A autoconfiança e a consciência de que você possui a força para atender aos seus desejos, com animado interesse pela vida, são resultados naturais da prática da Contrologia. Assim nós alcançamos a felicidade, pois a verdadeira felicidade não nasce realmente da percepção do valor do trabalho bem feito, com a gratificação de desfrutar de outros prazeres decorrentes dessa realização bem-sucedida, com a medida compensadora de “diversão” e conseqüente relaxamento? Portanto, em sua busca louvável de tudo aquilo que está implícito na trindade de atributos divinos, que apenas a Contrologia pode lhe oferecer, damos não um adeus, mas um au revoir, com os votos sinceros de que seu esforço resulte em um sucesso merecido, seguido de felicidade infinita para você e os seus.” Joseph Pilates, 1945.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Corrida consciente: saúde e bem-estar


Entenda como conhecer seu corpo e dar atenção para todos os músculos poder ser importante para um melhor rendimento na corrida.
Quando nos deparamos com corredores nas ruas e parques, podemos dizer que existem tantos estilos de correr quanto corredores. Muitas vezes ao observarmos as pessoas é impossível não notar o quanto para alguns o movimento parece fácil, natural e harmonioso. Para outros, entretanto, o ato de correr parece mais um esforço descomunal que a pessoa se impõe, tamanha é a quantidade de compensações musculares, tensões e desalinhamentos.
Não é necessário ser um profissional de educação física ou fisioterapeuta para constatar quando há algo errado, porque a harmonia e a beleza saltam aos olhos, e um movimento econômico e bem coordenado parece realizado sem esforço, quase uma dança.
É claro que somente alguns seres geneticamente privilegiados já nasceram com o dom e o corpo perfeitamente “projetado” para o esporte e o desempenho. A maioria dos “mortais” tem suas características genéticas e padrões posturais adquiridos ao longo da vida, que nem sempre correspondem ao ideal atlético e nem por isso devem se privar do prazer e dos benefícios da atividade física, muito pelo contrário.
Exemplos não faltam de atletas olímpicos que se superam no esporte por conta de um inicial problema de saúde. Muitas das pessoas que contribuíram para o estudo e o desenvolvimento de métodos de atividade física alternativos também têm esse perfil, da busca pela própria reabilitação e saúde, como Moshe Feldenkrais e o próprio Joseph Pilates entre outros.
Não se trata, portanto, de buscar a perfeição, mas de dar a si mesmo o melhor possível dentro de suas possibilidades. Porém, o que se vê corriqueiramente, infelizmente, são pessoas que, julgando estarem fazendo um bem para a saúde, estão na verdade causando desgastes e eliminando um bem perecível que é a saúde.
Correr sem consciência de seus próprios movimentos pode causar mais danos do que ganhos. Na era da tecnologia, em que celular e iPods estão sempre presentes nas nossas mãos, seria interessante, ao menos de tempos em tempos, usarmos essa tecnologia a nosso favor.
Não é equipando-os com programas para manter ritmo e metas de treinamento, medindo frequência cardíaca, tão pouco baixando músicas motivantes para manter acesa a vontade de terminar. Seria simplesmente gravando ou filmando nossos movimentos, analisando depois com calma com a ajuda de um profissional, pois desta forma poderíamos melhorar a postura e, provavelmente, desvendar o mistério daquela dor nos joelhos, quadris, tíbia, ombros.
Certamente, encontraríamos a causa para muitas de nossas queixas, quando não nos surpreenderíamos assistindo uma pessoa totalmente desconhecida daquela que pensávamos ser. O conhecimento de si mesmo, às vezes um tanto doloroso, pode nos ajudar e muito a realmente encarar nossas dificuldades e aprimorá-las.
Nas palavras do próprio Joseph Pilates: “Andar, o único exercício mais comum para a maioria de nós, trabalha apenas um número limitado de músculos. Com repetição, o ato de caminhar se torna um hábito ruim, sempre acompanhado de má postura... No entanto, há outra razão importante para exercitarmos todos os nossos músculos conscientemente. Cada músculo pode, cooperativa e fielmente, ajudar no desenvolvimento uniforme de todos os outros. Ao desenvolver os músculos menos importantes, naturalmente estamos ajudando a fortalecer os músculos mais importantes. Assim como os tijolos pequenos são usados na construção de grandes edifícios, o desenvolvimento dos músculos menores ajudará a desenvolver os músculos maiores. Portanto, quando todos os músculos forem adequadamente desenvolvidos, você naturalmente trabalhará fazendo um esforço mínimo e desfrutando de um prazer máximo.” (A obra completa de Joseph Pilates – Joseph Hubertus Pilates).
Na corrida
Num exercício repetitivo como a corrida, em que exercitamos os mesmos músculos, sempre da mesma maneira, realizar qualquer movimento em desvantagem biomecânica significa criar stress, tensão e lesão desnecessária nos músculos e articulações.
Complementar a prática da corrida com atividades que estimulem todos os músculos de maneira equilibrada e ainda promovam a concentração e o autoconhecimento como o Pilates, certamente fará com que estendamos por mais tempo nossa saúde e bem-estar, nosso bem mais precioso que não deve ser desperdiçado nem mal administrado.
Bons treinos!
 
*Matéria de Suely Tambalo, educadora física e professora do CGPA Pilates, para o Portal de Corrida O2 Por Minuto.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pilates e a reabilitação da postura

Atividade utiliza peso do corpo para fortalecer e alongar musculatura.

     O método Pilates nunca esteve em tamanha evidência. Criada pelo alemão Joseph Hubertus, entre as décadas de 20/30, a atividade foi desenvolvida a princípio para restabelecer a saúde e o condicionamento físico do próprio criador, que desde a infância sofreu com graves doenças que o limitavam fisicamente. No entanto, foi ao longo do tempo que o Pilates mostrou toda sua importância no cenário da atividade física.
     Além da capacidade de condicionar o indivíduo em sua totalidade, levando em conta os aspectos físico, mental e espiritual, o Pilates também já mostrou potencial na reabilitação de doenças. O método denominado por Joseph Pilates de Contrologia, já estava sistematizado quando ele saiu da Alemanha e foi para a Inglaterra quando se deflagrou a I Guerra Mundial. Detido em um campo de concentração em Lancaster, resolveu aplicar seu método nos detentos que, de tão bem condicionados fisicamente, resistiram à epidemia de Influenza que se abateu sobre a população e dizimou milhares de vidas.
     Esse fato despertou ainda maior credibilidade em relação ao seu método de exercícios e despertou a atenção da comunidade médica da época. Ainda no campo de concentração, Joseph Pilates iniciou a reabilitação de detentos com ferimentos e amputações causados pela guerra, utilizando molas, camas e cadeiras de rodas, dando a oportunidade para que surgisse dessa mente brilhante e criativa os protótipos dos primeiros equipamentos do método Pilates que usamos hoje.
 
Método oferece infinidade de benefícios
     Toda a proposta do Pilates está pautada em atingir a plena saúde física, mental e espiritual através do exercício consciente. A atividade utiliza o peso do próprio corpo e cargas moderadas para alcançar o equilíbrio, o fortalecimento e o alongamento de toda musculatura, sem sobrecargas nas articulações e sem exaustão. Tudo na medida certa para promover o desenvolvimento pleno das capacidades físicas.
     Desde o inicio, o que se observa em quem pratica Pilates é a melhora da postura. O próprio praticante é o primeiro a notar a diferença, pois logo após as primeiras aulas se sente mais alongado, mais disposto e com maior energia para realizar as tarefas do dia-a-dia. Como os exercícios levam o corpo para o eixo vertical, alinhando as articulações e fortalecendo a musculatura, a pessoa gasta menos energia para se manter ereta, causando menos tensões desnecessárias e criando maior harmonia e agilidade nos movimentos.
     Após algum tempo de prática, essa mudança começa ficar visível para os demais que identificam no praticante uma postura mais altiva e relaxada, além de um maior tônus e afinamento da silhueta, que muitas vezes é confundido com emagrecimento. Na verdade, somente o Pilates não é suficiente para queimar a quantidade de calorias necessárias para provocar o emagrecimento. Mas quando aliado à reeducação alimentar e prática de uma atividade aeróbica, o método é capaz de promover uma verdadeira revolução em cada um de nós.
     A transformação começa na forma como os exercícios são praticados. Antes de fazer qualquer movimento, aciona-se a musculatura profunda do abdome, o que Joseph chamou de "Centro de Força". Todos os movimentos são realizados mantendo a atenção não apenas na execução correta do grupo muscular que está sendo trabalhado, mas no corpo como um todo. Ocorre o relaxamento e a estabilização dos grupos musculares que não estão diretamente envolvidos naquela ação, mas que tem suma importância na manutenção da postura correta.

Mudar de postura é mudar de atitude
     Ao praticar Pilates, ocorre ainda o aumento da autoestima e a diminuição da ansiedade, por meio da respiração consciente e completa. A atividade permite que a gente perceba que somos capazes de ampliar nossos limites, conquistando com segurança maiores habilidades que muitas vezes nem sonhávamos em realizar. Ou seja, resgatamos a certeza de que somos realmente feitos para a saúde, o bem-estar e a realização plena de todas as nossas potencialidades.
      A reabilitação de uma postura inadequada nada mais é do que dar ao corpo os estímulos corretos e devolver a ele o direito de se mover com mais naturalidade, eliminando hábitos incorretos, tão presentes em nossa vida apressada e sem consciência. O trabalho de fortalecimento muscular e alongamento de todo o corpo torna a musculatura equilibrada e preparada para retomar seu verdadeiro alinhamento em relação à gravidade, nas diferentes posições e situações do dia-dia, e também na prática esportiva.
     Controlar o próprio corpo é o primeiro passo para controlar a própria vida, levá-la para onde a gente quer e não sermos levados a esmo pelo passar dos dias, nem pelos outros. Mudar de postura é realmente mudar de atitude, no âmbito físico, mental e espiritual. "Mudar de postura é realmente mudar de atitude, no âmbito físico, mental e espiritual. "
     Não existe mudança real sem que esses âmbitos sejam trabalhados simultaneamente. Não se trata aqui de buscar o estereótipo do corpo "ideal" bombardeado pela mídia. Trata-se de encontrar o seu corpo ideal, aquele que permite que você se realize em toda sua magnitude, acolhendo suas particularidades e aceitando-as em cada fase da vida.
      O próprio Joseph Pilates foi prova viva de que é possível manter-se saudável, com um corpo perfeito até a idade mais avançada. Mas primeiro tenha em mente que é possível resgatar a saúde e a postura ideal, pois fomos criados para a saúde e não para a doença. Depois aceite e deseje que isso faça parte de sua vida. Tomadas essas resoluções, coloque em seu cotidiano mais qualidade de vida, mais disposição, mais beleza e harmonia. Pratique Pilates!
*Matéria de Suely Tambalo, instrutora do CGPA Pilates para a revista Personare.
(http://www.personare.com.br/revista/saude-e-beleza/materia/2119/pilates-e-a-reabilitacao-da-postura)